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Conab revisa safra 2026/27: produção de etanol ganha impulso com mudança no mix sucroenergético
Conab revisa safra 2026/27: produção de etanol ganha impulso com mudança no mix sucroenergético

Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atualiza projeções para a safra 2026/27, apontando ajuste na produção de açúcar e avanço expressivo no volume de etanol hidratado e anidro.

  • 24/08/2026

Conab Revisa Safra 2026/27: Produção de Etanol Ganha Espaço com Mudança Estratégica no Mix Usineiro

O setor sucroenergético brasileiro passa por um importante reajuste no direcionamento de sua matéria-prima durante a safra 2026/27. Segundo o mais recente levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o setor registrou uma mudança expressiva no mix produtivo: enquanto a estimativa de produção de açúcar foi revisada para baixo, as projeções para a fabricação de etanol foram elevadas significativamente.

A estimativa para a safra total de cana-de-açúcar no país ficou ajustada em 705,2 milhões de toneladas. Apesar da ligeira oscilação no volume total colhido, o grande destaque do boletim é a readequação das estratégias industriais das usinas brasileiras em resposta às dinâmicas do mercado energético e aos incentivos regulatórios.

Redução na Projeção de Açúcar e Revalorização do Etanol

Conforme o relatório oficial, a estimativa de produção nacional de açúcar caiu para 42,89 milhões de toneladas — uma redução de aproximadamente 1,07 milhão de toneladas em relação às projeções iniciais do ciclo. Essa desaceleração reflete a reorientação do caldo de cana para a destilação de combustíveis renováveis.

Em contrapartida, o etanol de cana-de-açúcar teve sua previsão elevada, projetando-se que alcance a marca de 30 bilhões de litros no ciclo 2026/27, um salto de 9,7% em comparação com a safra anterior. O crescimento mais acentuado foi observado no etanol hidratado, utilizado diretamente pelos veículos flex, com expectativa de alta superior a 13%.

Fatores Determinantes para o Avanço do Etanol:

Aumento da Mistura Mandatória à Gasolina: O avanço do percentual obrigatório de anidro na mistura da gasolina (elevado para E32) impulsionou significativamente a demanda pelo combustível renovável no mercado interno.

Competitividade nas Bombas: O etanol hidratado mantém forte atratividade frente aos combustíveis fósseis, estimulando o consumo contínuo.

Expansão do Etanol de Milho: Integrando a matriz, a produção de etanol derivado de milho deve alcançar 11,9 bilhões de litros, um salto impressionante de 17% em relação ao ciclo passado, reforçando a complementaridade das fontes biocombustíveis no Brasil.

Impacto nos Mercados Global e Doméstico

No cenário internacional, o reposicionamento do Brasil — que é o maior exportador global de açúcar — trouxe impacto direto sobre as cotações das commodities. A perspectiva de uma oferta global mais restrita do adoçante sustentou a elevação dos preços do açúcar bruto no mercado internacional.

No plano nacional, as entidades do setor reafirmam a importância das políticas públicas de descarbonização, como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro. A manutenção e ampliação das misturas obrigatórias garante segurança jurídica, previsibilidade para os investimentos agroindustriais e contribuição efetiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Com o fortalecimento da oferta de biocombustíveis e a diversificação entre cana e milho, o setor sucroenergético reafirma seu papel central na transição energética global e na soberania energética do país.

Fontes

Conab corta 1 milhão de toneladas da previsão de açúcar

Conab vê alta do açúcar em agosto com oferta global mais restrita

Produção de açúcar deve cair enquanto a de etanol vai aumentar, diz Conab

Setor de etanol rebate Flávio e defende mistura à gasolina