Conab Revisa Safra 2026/27: Produção de Etanol Ganha Espaço com Mudança Estratégica no Mix Usineiro
O setor sucroenergético brasileiro passa por um importante reajuste no direcionamento de sua matéria-prima durante a safra 2026/27. Segundo o mais recente levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o setor registrou uma mudança expressiva no mix produtivo: enquanto a estimativa de produção de açúcar foi revisada para baixo, as projeções para a fabricação de etanol foram elevadas significativamente.
A estimativa para a safra total de cana-de-açúcar no país ficou ajustada em 705,2 milhões de toneladas. Apesar da ligeira oscilação no volume total colhido, o grande destaque do boletim é a readequação das estratégias industriais das usinas brasileiras em resposta às dinâmicas do mercado energético e aos incentivos regulatórios.
Redução na Projeção de Açúcar e Revalorização do Etanol
Conforme o relatório oficial, a estimativa de produção nacional de açúcar caiu para 42,89 milhões de toneladas — uma redução de aproximadamente 1,07 milhão de toneladas em relação às projeções iniciais do ciclo. Essa desaceleração reflete a reorientação do caldo de cana para a destilação de combustíveis renováveis.
Em contrapartida, o etanol de cana-de-açúcar teve sua previsão elevada, projetando-se que alcance a marca de 30 bilhões de litros no ciclo 2026/27, um salto de 9,7% em comparação com a safra anterior. O crescimento mais acentuado foi observado no etanol hidratado, utilizado diretamente pelos veículos flex, com expectativa de alta superior a 13%.
Fatores Determinantes para o Avanço do Etanol:
Aumento da Mistura Mandatória à Gasolina: O avanço do percentual obrigatório de anidro na mistura da gasolina (elevado para E32) impulsionou significativamente a demanda pelo combustível renovável no mercado interno.
Competitividade nas Bombas: O etanol hidratado mantém forte atratividade frente aos combustíveis fósseis, estimulando o consumo contínuo.
Expansão do Etanol de Milho: Integrando a matriz, a produção de etanol derivado de milho deve alcançar 11,9 bilhões de litros, um salto impressionante de 17% em relação ao ciclo passado, reforçando a complementaridade das fontes biocombustíveis no Brasil.
Impacto nos Mercados Global e Doméstico
No cenário internacional, o reposicionamento do Brasil — que é o maior exportador global de açúcar — trouxe impacto direto sobre as cotações das commodities. A perspectiva de uma oferta global mais restrita do adoçante sustentou a elevação dos preços do açúcar bruto no mercado internacional.
No plano nacional, as entidades do setor reafirmam a importância das políticas públicas de descarbonização, como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro. A manutenção e ampliação das misturas obrigatórias garante segurança jurídica, previsibilidade para os investimentos agroindustriais e contribuição efetiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Com o fortalecimento da oferta de biocombustíveis e a diversificação entre cana e milho, o setor sucroenergético reafirma seu papel central na transição energética global e na soberania energética do país.
Fontes
Conab corta 1 milhão de toneladas da previsão de açúcar
Conab vê alta do açúcar em agosto com oferta global mais restrita
Produção de açúcar deve cair enquanto a de etanol vai aumentar, diz Conab





