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Usineiros foram até Dilma, prometeram, não cumpriram e setor paga a conta

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27/01/2012 - 08:23h

O governo brasileiro está conseguindo a proeza de fazer tudo pelo avesso

O governo brasileiro está conseguindo a proeza de fazer tudo pelo avesso

“A presidente Dilma Rousseff ficou indignada com a postura dos usineiros que prometeram à ela que o etanol não subiria de preço, embora soubessem da crise iminente que teríamos pela frente” – Antonio Delfim Netto, Professor Emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Planejamento e Agricultura, que foi embaixador do Brasil na França e deputado federal

“Se o Brasil não abrir caminho para novos investimentos no setor, outros países o farão” – José Goldemberg, Professor Emérito da USP

“Em cada litro de etanol, incidem R$ 0,46 de PIS/Cofins. Na gasolina, são R$ 0,26. Deve ser o único caso de país que incentiva o combustível fóssil e pune o que emite menos gases de efeito estufa” – Miriam Leitão

“O governo brasileiro está conseguindo a proeza de fazer tudo pelo avesso: barateia e incentiva o uso da gasolina, sendo o país com o maior potencial de produção de biocombustível” – Carlos Alberto Sardenberg, jornalista

A situação conflituosa entre os usineiros e a presidente Dilma Rousseff está finalmente esclarecida. Segundo o Prof. Delfim Netto, principal consultor econômico do ex-presidente Lula e agora também de Dilma Rousseff – até porque os neoliberais e os petistas não conseguiram produzir nada de novo em pensamento econômico – o problema foi provocado por um grupo pequeno – mas altamente expressivo – de usineiros que foram até o Palácio do Planalto, juraram que não haveria desabastecimento do mercado de etanol e nem aumento abusivo de preços.

Faltou honestidade e coragem por parte deles, em informar, antecipadamente à presidente, que em decorrência da falta de investimentos pós crise de 2008 e problemas climáticos (excesso de chuvas, falta de chuvas e geadas), haveria uma quebra de safra em torno de 20%.

A presidente se sentiu traída e mandou às favas o tal do pacote de ‘bondades’ de apoio e incentivo a toda a cadeia produtiva sucroenergética. Raivosa, ela mandou diminuir o percentual do anidro misturado à gasolina de 25% para 21% e, para divertir a galera, anunciou a liberação de financiamentos para a estocagem do etanol que não existia.

Agora, quem paga a conta pela inabilidade dos usineiros são os fornecedores de cana e os fabricantes de máquinas, equipamentos, bens de capital, insumos, serviços e tecnologia. A maior indústria de bens de capital do setor, a Dedini, não possui uma só encomenda de novas usinas, enquanto se discute como promover o salto das atuais 600 milhões de toneladas de cana para 1,2 bilhão até 2020.

A situação remete à tragédia ocorrida no final da década passada, quando também um grupo de pseudo-líderes do setor, se estranharam com a turma do PSDB (FHC & Mário Covas) e acabaram levando todo o setor a uma situação pré-falimentar. A falta de interlocução daquela época, não é nada diferente da de hoje.

E, com efeito, parece que a crise não ensinou aos produtores a assumirem e cumprirem seus compromissos. Delfim Netto ensina que Dilma é mais racional do que Lula. Ou seja, quem ainda pensava que os afagos e os carinhos oferecidos pelo ex-presidente, que chegou a nominá-los de ‘heróis’ manteria o mesmo ‘status quo’ no atual governo, enganou-se redondamente.

Agora ‘pau é pau’, ‘pedra é pedra’ e ‘é olho no olho e dente no dente’. Daí dá também para entender a ‘festinha’ de final-de-ano, promovida em Brasília com o objetivo de cortejar ministros e a alta burocracia do Planalto e que foi totalmente prestigiada por quem de fato manda e faz.

Fica, ainda, esclarecido o comentário de um usineiro ‘anônimo’ (quem é que não sabe quem é a fonte da matéria?) que disse ao O Estado de S.Paulo (matéria publicada em 16/1/12) de que “o setor está completamente perdido e desorientado, perdeu a guerra da comunicação”. Perdeu também, o respeito que a opinião pública vinha lhe dando.

fonte: BrasilAgro

 

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